Segunda, 31 de Março de 2025
A implementação da Rota Bioceânica, que conecta Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, traz à tona preocupações sobre o potencial crescimento da criminalidade em Mato Grosso do Sul. O estado já responde por parte significativa das apreensões de drogas no país, e a expectativa de maior movimento de cargas e veículos levou as forças de segurança a buscar medidas para impedir que a infraestrutura seja explorada por traficantes e contrabandistas.
O projeto deve revolucionar a logística na América do Sul, unindo os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de rodovias que cortam MS. No entanto, o aumento no fluxo de caminhões e passageiros eleva o risco de que drogas, armas e produtos ilegais sejam transportados ocultos em cargas legítimas, dificultando a fiscalização. Dados da PRF revelam que o estado concentra 38% das apreensões de cocaína e 34% das de maconha no Brasil.
A rota atravessa quatro países com sistemas de fiscalização distintos, criando brechas ao longo do percurso. Um caminhão não inspecionado no Paraguai, por exemplo, pode seguir até o Chile ou retornar ao Brasil com a carga "nacionalizada", obscurecendo sua origem. Autoridades denominam essa prática como "dupla nacionalização de entorpecentes".
Especialistas também destacam o "efeito balão": se um trecho for intensamente monitorado, criminosos desviam para áreas com menor vigilância. A estratégia do crime organizado segue a mesma lógica do transporte legal, priorizando rotas mais rápidas, menos fiscalizadas e mais rentáveis.
Cooperação internacional
Diante dos riscos, a PRF assinou um memorando com Paraguai, Chile, Argentina e Uruguai para compartilhamento de inteligência, operações conjuntas e intercâmbio de agentes, visando combater o tráfico de drogas e armas.
Em Mato Grosso do Sul, a PRF anunciou a instalação de uma nova base operacional em Porto Murtinho, porta de entrada da rota no Brasil. A unidade atuará no controle de cargas e passageiros, além de fiscalizar delitos transfronteiriços. A superintendência local já está adaptando-se ao acordo multilateral para troca de informações com as polícias dos países envolvidos.
· Com informações do Campo Grande News