Artigo: Como lidamos com a pandemia?

Por Vicente Lino 15/07/2020 - 16:56 hs

  Às vezes me pego pensando se lido bem com minhas responsabilidades ou se essas responsabilidades me são subtraídas pela tal de “mão forte” do Estado. A atual crise escancara essa dualidade e expõe fragilidades percebidas só nesses momentos. O tal do Estado afirma, com todas as letras, que devo ficar em casa. - Não tem hospital! entendeu não, cara? Fica lá calado!

  Depois o STF, (aquele do Tóffoli), manda falar que a gestão da crise cabe exclusivamente, aos governadores e prefeitos restando ao governo central distribuir muito dinheiro, sem me consultar, claro. Aí, governadores e prefeitos, sem o meu consentimento, começam a prender idosas nas praças, porque não estão “cumprindo a lei”. 

  Em sequência, algum prefeito decide que o melhor para o município é abrir o comércio, posto que o STF o havia autorizado. Para meu espanto, o governador não concorda e aciona o judiciário, que determina o seu fechamento. Muito bem; continuo atordoado e colho a notícia de que famoso médico, na maior cidade do país, foi atingido pela tal doença.
 
   O cara, foi imediatamente medicado e, em alguns dias, estava lépido, rasteiro e ligeiro nas Tvs, mas, se negando a informar que medicamentos tomou. Falou que era “uma questão pessoal”. Fiquei pensando se não seria melhor se ele informasse os medicamentos tomados e aconselhasse a que todos fizessem o mesmo. Esquece. – Estou curado e você que se dane!  (Não sei se ele disse isso, mas imagino).

  Como tudo sempre pode piorar, o Congresso, (aquele do Maia e Alcolumbre) aprovou  lei que dispensa licitações, para a compra de equipamentos para o coronavírus.

 Aconteceu o que você está pensando. Isso mesmo, governadores de vários estados se precipitaram a assaltar os cofres públicos desviando milhões para os seus bolsos. Nada que a gente não esteja cansado de saber.  Dia desses, na praia de Cabo Frio, uma lindeza de moça foi advertida, pelo guarda municipal, de que deveria usar máscara, para entrar no mar e um garçom, no interior de um querido estado, afirmou solenemente que na hora de comer as pessoas estavam autorizadas a tirar a máscara.

Lá na frente ainda vamos entender que pandemia foi essa e de que maneira lidamos com ela. São lamentáveis as mortes, as angústias e tristezas causadas aos que ficaram. Muito triste, também, será a constatação de que lidamos de forma muito incompetente com esse grave problema.